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Por Equipe CasusPublicado em 29 de julho de 2026Atualizado em 20 de setembro de 20264 min de leitura

Como pedir e usar depoimento de cliente dentro das regras da OAB

Depoimentos são uma das formas mais eficazes de prova social em qualquer setor, e uma das mais sensíveis na Advocacia. O Provimento 205/2021 não proíbe depoimentos de forma genérica, mas proíbe vincular esse depoimento a um resultado obtido ou a um caso concreto. Este texto explica a diferença prática entre um depoimento permitido e um proibido, e como pedir esse tipo de conteúdo ao cliente sem colocar o escritório em risco.

Autoridade

O que o Provimento 205 proíbe especificamente em depoimentos

A norma veda mencionar decisões ou resultados obtidos e usar casos concretos como oferta de serviço, o que torna proibido qualquer depoimento que descreva o desfecho de um processo.

Um depoimento que afirme que o escritório conseguiu reverter uma decisão e recuperar um valor específico combina, em uma única frase, duas das vedações mais claras do Provimento 205: menção a resultado obtido e uso de caso concreto como prova de competência voltada à captação. Mesmo vindo diretamente da voz do cliente, e mesmo com autorização expressa, esse tipo de conteúdo não está alinhado com o que a norma permite.

A norma também veda linguagem autopromocional e persuasiva, o que inclui adjetivos de superlativo como "o melhor escritório" ou "resultado surpreendente", mesmo quando ditos pelo cliente e não pelo próprio escritório, porque o efeito prático de divulgação é o mesmo.

É importante entender que a responsabilidade por manter a publicidade dentro das regras é do escritório, e não do cliente que dá o depoimento. O cliente não conhece a norma e não deveria precisar conhecê-la para colaborar de boa-fé.

A diferença entre elogiar o atendimento e mencionar o resultado da causa

Um depoimento seguro fala sobre a experiência de ser atendido, como clareza, disponibilidade e cuidado, e nunca sobre o desfecho jurídico do caso.

A linha divisória mais útil na prática é simples: o depoimento fala sobre como foi o processo de ser cliente, ou sobre o que aconteceu no processo judicial ou negocial? A primeira categoria é segura, a segunda não é.

Frases como "me senti seguro em cada etapa", "a equipe sempre respondeu rápido e com clareza" ou "finalmente encontrei um advogado que me explicou o que estava acontecendo em vez de só usar termos técnicos" descrevem qualidade de atendimento, um atributo legítimo de se comunicar, porque não menciona resultado nem caso.

Já frases como "resolveram meu problema", "conseguiram o que eu queria" ou qualquer menção, mesmo vaga, a um desfecho favorável, reintroduzem o problema, porque sugerem resultado, ainda que sem números ou detalhes específicos.

Como formular o pedido de depoimento ao cliente

O pedido já deve vir com o direcionamento certo: peça para o cliente falar sobre a experiência de ser atendido, e não sobre o resultado do caso.

Em vez de um pedido aberto, como perguntar se o cliente poderia deixar um depoimento sobre o trabalho, o que deixa a porta aberta para ele mencionar espontaneamente o resultado, é mais seguro orientar com uma pergunta específica sobre como foi, para ele, o processo de ser atendido em termos de comunicação, clareza e disponibilidade.

Isso não é apenas uma questão de compliance. Na prática, gera depoimentos mais autênticos e menos genéricos, porque fala de algo que o cliente realmente vivenciou de perto, a relação com o escritório, em vez de um resultado técnico que ele muitas vezes nem entende em profundidade.

Vale também revisar o depoimento antes de publicá-lo, mesmo vindo espontaneamente do cliente, e caso ele mencione resultado, pedir permissão para adaptar a frase mantendo o espírito do que foi dito, mas removendo a parte que menciona desfecho.

Onde usar esse tipo de conteúdo e onde nunca usar

Depoimentos sobre experiência funcionam bem em páginas institucionais e materiais de apresentação, e devem ser tratados com o mesmo cuidado em qualquer canal, incluindo redes sociais e anúncios.

Um depoimento bem formulado sobre atendimento, clareza e confiança, nunca sobre resultado, pode aparecer com segurança na página "Sobre" do site, em materiais de apresentação institucional e em conteúdo social, desde que sempre com identificação (nome ou iniciais) autorizada pelo próprio cliente.

O cuidado deve ser o mesmo em qualquer canal. A vedação da norma não é sobre onde o depoimento aparece, mas sobre o que ele diz. Um depoimento com menção a resultado é igualmente problemático num post de rede social, num anúncio pago ou numa conversa de prospecção.

Um ponto final de atenção: mesmo depoimentos seguros sobre experiência devem ser usados com moderação, sem virar o centro da estratégia de captação. Eles complementam a Autoridade construída por conteúdo técnico consistente.

Perguntas frequentes

Posso usar depoimento em vídeo?
Sim, desde que o conteúdo falado siga a mesma regra: foco na experiência de atendimento, sem menção a resultado ou desfecho do caso. O vídeo exige atenção extra porque a fala espontânea tende a escorregar mais facilmente para o tema do resultado do que um texto revisado.
E se o cliente insistir em mencionar o resultado no depoimento?
Vale explicar, com transparência, que a regra profissional do advogado impede esse tipo de menção em material de divulgação. A maioria dos clientes entende bem quando a explicação é clara, e o depoimento pode ser reformulado mantendo o elogio sem o desfecho.
Depoimentos anônimos ou sem identificação contam com as mesmas regras?
Sim. A vedação está no conteúdo da mensagem, na menção a resultado ou no uso de caso concreto, não na identificação do autor. Um depoimento anônimo que menciona um resultado obtido continua violando a norma da mesma forma que um identificado.
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